terça-feira, julho 11, 2006

Vila Fria, Lugar com História

Vila Fria é uma povoação pertencente à Freguesia de Porto Salvo e Concelho de Oeiras.
Conheceu um grande desenvolvimento demográfico a partir da década de 60, fruto proximidade de Lisboa, trazendo para o bairro muitas famílias, que aos poucos se integraram na comunidade existente.
A povoação tem, no entanto, uma origem muito mais antiga, o seu historial esteve sempre ligado à agricultura e produção de gado, o seu núcleo antigo, constituiu em tempos o centro de uma zona de produção cerealífera.
O Memorial de Oeiras descreve Vila Fria como pertencendo ao Reguengo de Oeiras e à freguesia de N.S. da Purificação (designação atribuída à Igreja Matriz de Oeiras) e diz : “…aldeia na vintena de Caspolima” ou “…lugar da freguesia de Oeiras, ao nascente de Caspolima e Aldeia do Meio”. Caspolima era a designação dada à zona baixa de Porto Salvo.
A primeira referência a Vila Fria surge em 1500, quando é constituído o Julgado de Oeiras, sendo o lugar mencionado entre as povoações pertencentes a essa área jurídica, o que demonstra que já existia antes dessa data.
Em 1582 surge a alusão a uma quinta situada em Vila Fria e que pertencia a Helena Antunes, mulher de Custódio Vital, que ficava entre o “Zambujeiro” (Aldeia do Meio) e “Cerradinhos”.
Existem várias referências a essa quinta ao longo dos tempos, mas as mais interessantes dizem respeito às “Capelas”, um costume antigo segundo o qual, não havendo herdeiros legais, as propriedades podiam ser deixadas a quem o proprietário entendesse, mas essa pessoa teria a obrigação de mandar dizer um certo número de missas por alma do doador. Surge assim uma Capela de “António João sobre uma morada de casas térreas e um quintal no lugar de Vila Fria, com a obrigação de 2 missas rezadas cada ano na Igreja de Oeiras por sua alma e de seus pais, passou a posse para Manuel Luis de Vila Fria (1706), depois a José João Rosa, em 1757 passou para António Antunes e de 1783 a 1824 pertenceu a José Gomes.”
O Padre João Baptista de Castro, em 1743, num estudo sobre as ermidas do Reguengo, referenciou cerca de uma dúzia, entre elas, a ermida da Madre de Deus, em Vila Fria. Nesta altura o lugar tinha 20 vizinhos e uma quinta.
Ao longo do Memorial de Oeiras existem várias alusões a Porto Salvo, mas apenas em 1754 se faz referência aos Romeiros de N.S. de Porto Salvo, quando se diz que os moradores de Caspolima, Porto Salvo e Vila Fria reclamavam o pagamento das custas que tiveram com os romeiros.
Até recentemente o núcleo histórico de Vila Fria corria sérios riscos de desaparecer, as poucas casas que existem representativas da história do lugar encontravam-se em avançado estado de degradação e quase a perderem-se irremediavelmente, no entanto, uma profunda intervenção dos proprietários, adaptando-as às comunidades da vida moderna, restituiu-lhes a beleza e dignidade de outros tempos.
Numa dessas casas residiu o actor António Pinheiro, que interpretou o papel do ferreiro, pai de Maria, na primeira versão sonora de “Amor de Perdição”. Foi ainda residência de sua filha, Dna Ofélia, que deu o nome à quinta. A vivenda Ofélia é uma casa construída no final do sec.XIX, recentemente restaurada, onde se realça um magnifico painel de azulejos retractando Dna Ofélia em criança.
A outra quinta é, sem dúvida, a referenciada nas diversas passagens do Memorial de Oeiras aqui citadas. A construção primitiva é do sec.XVI, a qual terá sido alterada ao longo dos séculos. É aqui que se situa a referida ermida da Madre de Deus, revestida por magníficos azulejos dos sec.XVIII. Para além da casa de dois pisos e da ermida com a respectiva sacristia, existem ainda algumas construções de apoio à lavoura, sendo um raro exemplo no concelho de uma propriedade rural típica e com cerca de três séculos de história.

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4 Comments:

At 3:29 da manhã, Blogger CB said...

Vila Fria é mesmo um lugar com história.
Gostei muito... continua pois vais no bom caminho e assim como assim sempre vou aprendendo mais um pouco sobre a nossa terra. PARABÉNS!

 
At 8:00 da manhã, Blogger Tiago Silva said...

Gostei do blog. Ajudou me muito!!!!

 
At 7:57 da manhã, Blogger Estela said...

Boa Tarde.
Adorei o que escreveu.
Pois fala de certa forma da minha família.
De António Pinheiro- Tetra-avô
e de Ofélia minha- Bisavó.

Se for possível dar me o seu email
Agradecia

Se souber algo interessante sobre esse assunto.

Obrigada

 
At 7:55 da manhã, Blogger LG said...

Caro Carlos Cardoso,
não posso deixar de agradecr ao seu blog o esclarecimento que me confirma qual a casa de António Pinheiro. Como faço uma investigação académica sobre o actor, pergunto-lhe se sabe se a casa ainda está na família do artista.
Cumprimentos
LG

 

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